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Diuréticos e doping: a segurança do medicamento manipulado
08/01/2018

Ano após ano, os exames de esportistas apontam não conformidades com as regras internacionais que regulamentam o consumo de medicamentos nas competições. Uma das categorias de substâncias proibidas no esporte detectadas com maior frequência é a dos diuréticos, que são vetados pela Agência Mundial Antidopagem (Wada) porque podem mascarar o uso de outros produtos, como anabolizantes e estimulantes.

Quando o episódio se repete no Brasil, não é raro surgir a hipótese de contaminação na farmácia. Porém, o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Ademir Valério, alerta que, antes de aceitar essa teoria, é preciso entender o que está por trás da preparação de produtos manipulados.

Controle de processo, tecnologia, rastreabilidade, especificação de matérias primas, realização de procedimentos em laboratórios com áreas apropriadas, atuação e supervisão de farmacêuticos ao longo de todas as etapas de manipulação. Todos esses elementos descrevem o processo de preparação de produtos e medicamentos manipulados, diz Ademir: “Essa atividade é regida por uma das legislações sanitárias mais rigorosas do mundo e fortemente amparada em tecnologia”.

Estudo da Anfarmag realizado a partir de 2010 com cerca de 27 mil fichas que registram os medicamentos entregues pelas farmácias a cada paciente, mostrou que menos de 2% das receitas médicas aviadas traziam prescrição de diuréticos. Além disso, dentro dessa amostragem ampla, não havia sequer uma receita com prescrição de diurético isolado.

Isso demonstra a baixa frequência que o setor de farmácias de manipulação trabalha com diuréticos. Demonstra também que, sempre que um diurético é prescrito, o médico opta por prescrevê-lo associado a outros fármacos, como parte de uma formulação maior.

Para Ademir Valério, esses dados são extremamente relevantes: “O processo de manipulação é seguro e não permite a contaminação. Porém, vamos extrapolar: admitindo que houvesse eventual equívoco no processo que levasse à contaminação acidental com um diurético, necessariamente haveria também a presença de outros fármacos combinados com essas substâncias, uma vez que elas estão sempre em associação nos medicamentos manipulados”, argumenta. “Além disso, a distribuição desse diurético não seria uniforme entre supostas cápsulas contaminadas. Isso pode ser rastreado e precisa ser levado em conta”.

As farmácias com manipulação são obrigadas por lei a manter um livro de registro com todas as receitas médicas aviadas e esse é um documento importante na busca pela resposta de uma investigação, já que pode apontar se houve ou não manipulação do diurético no mesmo dia da preparação do medicamento consumido pelo paciente em questão e, portanto, se havia ou não possibilidade, mesmo que remota, de contaminação cruzada.

Sobre a Anfarmag

Entidade sem fins lucrativos, a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais representa o setor magistral, voltado para a preparação (manipulação) de medicamentos e produtos para a saúde de forma personalizada que atendam às necessidades específicas de cada paciente. A entidade zela pelas boas práticas de manipulação, preservando o comprometimento ético e a responsabilidade do setor para a saúde da população.

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